
O ano de 2025 largou em típico cenário de crise e incerteza. Não poderia ser diferente: semear é opcional, colher é mandatório. Os poderes da República fizeram grotesca semeadura, no curto prazo passado, um horroroso hat trick (três ou mais erros consecutivos da política brasileira). Desse plantio, Afrodite não germina.
A coisa toda é um espelho dos impactos das políticas internas de dedo podre e da influência de eventos transnacionais. Especialistas apontam para um esfriamento do crescimento econômico. A inflação pode desafiar o teto da meta, elevando as incertezas sobre o poder de compra e os custos de produção.
Há um velho redentor para tudo isto. Alguém que, não de hoje, vem prestando socorro ao Brasil, apesar dos malfeitores: o Agronegócio. Não é de hoje que o setor, resiliente e estratégico, sustenta o país, mesmo sob o peso de políticas desastrosas e crises externas.
O Agro deve se manter como um dos pilares da economia brasileira, com previsão de aceleração do PIB do setor em 2025. Fatores como condições climáticas mais favoráveis e a recuperação de preços em commodities como soja, milho e carne bovina indicam um cenário otimista. As exportações também devem galopar, impulsionadas pela alta demanda internacional e pela desvalorização cambial que torna os produtos brasileiros mais competitivos no mercado externo.
A Nova Era Trump: Ventos que sopram no Agro Brasileiro
A recente eleição de Donald Trump nos Estados Unidos também traz implicâncias para o Brasil. Trump é conhecido por sua política protecionista, que pode intensificar disputas comerciais e gerar instabilidade nos mercados globais. Além disso, sua retórica crítica à China pode impactar a estratégia de exportações do agronegócio brasileiro, dado que o país é um dos principais parceiros comerciais da China no fornecimento de alimentos. Políticas de subsídios aos agricultores norte-americanos podem reduzir a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA, reforçando a necessidade de diversificar mercados e fortalecer relações comerciais com a União Europeia, Oriente Médio e África.
O Escudo Jurídico do Setor Privado
Postas as coisas como estão, a cautela deve nortear as decisões econômicas e empresariais em 2025. Para o setor do agronegócio, é determinante implementar estratégias que minimizem os riscos e protejam o capital investido. Algumas das coisas que venho repetindo mantricamente:
– Elaborar contratos sólidos e personalizados
Os contratos são a base das relações comerciais. Em tempos de instabilidade, é imprescindível contar com documentos claros e detalhados, que estabeleçam as obrigações das partes, os prazos de cumprimento e as penalidades em caso de inadimplência. É recomendável incluir cláusulas de força maior, que prevejam soluções para eventualidades imprevisíveis, como crises econômicas ou desastres naturais.
– Garantias Reais e outras formas de segurança
Para mitigar riscos, os credores devem exigir garantias reais, como hipotecas, penhor de colheitas ou alienação fiduciária de bens móveis e imóveis. Essas garantias aumentam a segurança da transação e oferecem meios mais eficazes de execução em caso de inadimplência.
– Prevenção e solução de conflitos
É essencial que as partes considerem a possibilidade de conflitos e adotem mecanismos alternativos de resolução, como a mediação e a arbitragem. Esses meios são mais céleres e menos custosos do que os processos judiciais tradicionais, além de garantirem maior discrição nas negociações.
– Planejamento Tributário e Sucessório
Outro ponto relevante é a organização tributária e sucessória. Com a possível elevação de tributos para financiar programas sociais e o crescente risco de disputas familiares em grandes propriedades rurais, é vital planejar a transferência de bens e a gestão patrimonial com suporte jurídico especializado.
– Assessoria Jurídica Contínua
Em tempos de incerteza, a presença de uma assessoria jurídica confiável pode fazer a diferença. O acompanhamento de advogados especializados em agronegócio oferece suporte na negociação de contratos, na gestão de riscos e na resolução de litígios, permitindo que os empresários concentrem seus esforços na produção e expansão de seus negócios.
Reflexão final
O ano de 2025 promete ser um período de grandes desafios e oportunidades. A economia global atravessa uma fase de transição, e o Brasil, como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve se preparar para consolidar sua posição no mercado internacional. Contudo, essa consolidação depende de uma gestão eficaz dos riscos econômicos, políticos e jurídicos.
Para o empresário do agronegócio, a palavra de ordem é precaução. Contratos bem elaborados, garantias robustas e uma assessoria jurídica sólida são elementos fundamentais para atravessar as incertezas do ano que se inicia.
Apertem os cintos e boa viagem!
Felipe Iglesias – OAB/MT 33.208A